“ Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;” Filipenses 1:6
O apostolo Paulo nos declara que Aquele que começou a boa
obra em nós, isto é nos transformar na imagem de Seu Filho Jesus, conforme 2
Coríntios 3:18 “ Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a
glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como
pelo Espírito do Senhor.” irá
aperfeiçoá-la até o dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Isso significa que os
salvos estão sob a maravilhosa preservação divina. A salvação não está
fundamentada em nossas próprias forças ou quaisquer méritos de nossa vontade,
mas sobre a obra da graça de Deus segundo o beneplácito de Sua vontade
soberana.
Ao louvar a Deus pela vida dos crentes filipenses, o apóstolo
Paulo foi quem escreveu: “Estou convencido de que aquele que começou a boa obra
em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6).
1. Aquele que começou a boa obra
Duas afirmações principais precisam ser esclarecidos no
versículo: “Aquele que começou a boa obra”. Em primeiro lugar, é preciso ter em
mente que Aquele que começou a boa obra certamente não é outro se não o próprio
Deus. Quem inicia nos indivíduos a obra da salvação não é sua livre vontade,
seu poder de escolha, seu livre arbítrio, não!! É Deus por uma ação direta do
Santo Espirito no espirito do indivíduo.
Em segundo lugar, é preciso saber qual é a boa obra que Ele
começou. Alguns intérpretes sugerem que a expressão “boa obra” está conectada
ao verso anterior quando Paulo fala da cooperação dos filipenses da
evangelização (Filipenses 1:5). Então a “boa obra” seria os esforços daqueles
crentes que, impelidos pelo Senhor, compartilharam seus recursos para a
propagação do Evangelho.
Contudo, a melhor interpretação sem dúvida é aquela que
aplica esse texto à salvação e à vida cristã. Isso significa que a boa obra que
Deus começou na vida do crente é a obra da salvação – incluindo todas as
bênçãos inerentes a ela. Além disso, essa interpretação não exclui totalmente a
primeira. Afinal, o verdadeiro engajamento com a proclamação do Evangelho é
algo decorrente da salvação operada por Deus no crente.
Portanto, a frase: “Aquele que começou a boa obra” nos ensina
uma importa lição: a salvação é obra de Deus; somente d’Ele. A palavra
“começou” traduz um verbo grego que significa literalmente “fazer um começo”.
Além de Filipenses 1:6, esse verbo aparece somente outra vez no Novo Testamento
(Gálatas 3:3). Em ambas as vezes ele se refere à salvação como uma obra que não
depende do esforço humano (cf. Gálatas 3:3).
Isso significa dizer que o mesmo Deus que começa a boa obra
da salvação na vida do indivíduo não o abandona a própria sorte; ao contrário,
Ele continua a trabalhar nele por meio de Seu Santo Espírito. Warren Wiersbe
explica que a salvação pode ser compreendida numa obra tripla: 1) a obra que
Deus realiza por nós – a salvação em si; 2) a obra que Deus realiza em nós –
santificação; 3) a obra que Deus realiza por meio de nós – o serviço.
Então basicamente o versículo que diz: “Aquele que começou a
boa obra em vós, vai completá-la até o dia de Cristo” aponta para a segurança
eterna do cristão que é preservado pela graça de Deus. É realmente um grande
conforto saber que Aquele que começou a boa obra na vida de cada um dos
redimidos irá completá-la até o grande dia da volta do Senhor Jesus.
2.A certeza do aperfeiçoamento da boa obra de Deus no crente
Talvez alguém questione: será que Deus irá guardar e
aperfeiçoar os redimidos até o fim? Veja que Paulo diz estar “plenamente certo”
disso. Ele tem certeza que Deus não deixará inacabada a boa obra que Ele mesmo
começou (cf. 1 Coríntios 1:8).
Deus não é como os homens, Deus é imutável. Ele não faz nada
pela metade. Ele tem um propósito que ninguém é capaz de frustrar (cf. Jó
42:2). Deus é fiel a Sua Palavra a qual garante a preservação de Seus filhos.
Em seu comentário do Novo Testamento, William Hendriksen cita algumas dessas
promessas (C.N.T. Efésio e Filipenses, páginas 417 e 418). Ele observa que o
ensino bíblico nos fala de:
·
Uma
fidelidade que jamais será tirada (Salmos 89:33; 138:8).
·
Uma
vida que jamais terá fim (João 3:16).
·
Uma
fonte de água que jamais deixará de borbulhar do coração daquele que a bebe
(João 4:14).
·
Um
dom que jamais será perdido (João 6:37,39).
·
Uma
mão da qual a ovelha do bom Pastor jamais será arrebatada (João 10:28).
·
Uma
corrente que jamais será partida (Romanos 8:29,30).
·
Um
amor do qual jamais nos separaremos (Romanos 8:39).
·
Uma
vocação que jamais será cancelada (Romanos 11:29).
·
Um
fundamento que jamais será destruído (2 Timóteo 2:19).
·
Uma
herança que jamais será desfeita (1 Pedro 1:4,5).
Se Aquele que começou a boa obra a completará, qual é a nossa
responsabilidade?
É preciso dizer que a garantia da preservação divina não
anula a responsabilidade e a perseverança humanas. É fácil perceber que antes
de dizer que Aquele que começou a boa obra nos crentes filipenses também
haveria de completá-la, Paulo elogiou o empenho e o trabalho deles em prol da
obra de Deus (Filipenses 1:5).
Além do que, no capítulo seguinte o apóstolo coloca essas
duas verdades lado a lado de forma ainda mais clara ao dizer: “Assim também
operai a vossa salvação com temor e tremor, porque Deus é o que opera em vós
tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade” (Filipenses 2:12,13).
O significado disso é que a boa obra operada por Deus do
começo ao fim no crente o capacita para uma vida de serviço em Sua obra. No Reino
de Deus não há espaço para ociosidade. Sobre isso, Hendriksen explica que ainda
que seja verdade que Deus inicia sua obra para completá-la, também é verdade
que, uma vez que Deus tenha começado Sua obra nos homens, estes jamais
permanecem como meros instrumentos passivos.
Na boa obra operada por Deus, mediante o poder do Santo Espirito,
o entendimento do indivíduo é iluminado, a inclinação de seu coração é
transformada quando ele recebe vida espiritual, e seu caráter é moldado à
semelhança de Cristo. Concordo com John Gill quando diz que essa operação da
graça de Deus na vida do homem o habilita e o qualifica para realizar boas
obras, as quais sem a graça ele não poderia fazer. A graça faz do homem uma
habitação adequada para Deus, e dá-lhe satisfação pela herança celestial.
Então saber que Aquele que começou a boa obra em nós há
completá-la até o dia de Cristo Jesus, jamais deve ser um incentivo à
negligência espiritual. Na verdade esse ensino deve nos encorajar a trabalhar
ainda mais na causa do Evangelho, sabendo que o próprio Deus é quem está
operando em nós a Sua boa obra.
Por: Pr. Itiel Monteiro De Lucena





